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omeuoutroblog

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Um dia

Doiam-lhe as costas Doiam-lhe demasiado as costas para pensar. Tinha apenas de continuar com o que estava a fazer e servir o jantar. A cara fechada sem deixar transparecer qualquer emoção. Não que ele fosse olhar para ela. Desde que as coisas aparecessem feitas seria como se não estivesse ali. Não olharia para ela nem a veria. Colocou a comida na mesa, serviu-o e sentou-se no seu lugar, de frente para ele, ao lado da porta que dava para a cozinha. Tudo como de costume, embora pouco comesse. Os únicos barulhos, além dos talheres a tocar nos pratos, eram os da respiração e mastigação, pesados naquele silêncio quente e húmido de Agosto. Esperou que ele se sentasse na poltrona de tecido rebentado como costumava fazer, a ver um qualquer programa de desporto como também sempre costumava fazer. Foi lavando a louça para se distrair, para não pensar no que tinha decidido fazer. Quando acabou e pôs o pano a secar, pensou é agora. Pegou na faca afiada ainda ontem e dirigiu-se em silêncio até à poltrona. Como para lhe facilitar a tarefa, adormecera com a cabeça caída para trás. Tão fácil pensou enquanto lhe passava a faca pela garganta. O sangue saltou, sujando a roupa, a poltrona, o chão. Ele abriu os olhos. Parecia espantado, depois zangado. Não disse nada. Fez um gesto como de que se ia levantar, mas já não chegou a fazê-lo. Novamente o olhar de espanto antes de se deixar cair na poltrona, agora com a cabeça para a frente. Depois de lavar o sangue que por algum tempo ainda pingou, sentou-se e ficou à espera. Ainda lhe doíam as costas. Esperou durante bastante tempo, em silêncio, sem ouvir mais nada, até que alguém da Polícia a levou.

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